Covid-19 e influenza, quais as diferenças entre essas doenças virais?

As longas, intensas e, muitas vezes, tensas e desgastantes discussões comparativas sobre a carga da doença causada por SARS-CoV-2, também denominada Covid-19, e a gripe influenza, tem sido temas de conversas de leigos, reuniões entre especialistas, crônicas em jornais, publicações e outras possíveis formas de comunicação.

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A disputa entre as essas duas doenças se tornou uma questão política em muitos países, sustentada inclusive pelas palavras de governantes baseadas ou não em evidências científicas.

Mas após mais de seis meses da pandemia por Covid-19, quais observações e conclusões já podemos constatar baseados em dados científicos publicados? A coletânea de resultados descritos em revistas e jornais científicos até o momento favorecem quais hipóteses?

Covid-19 versus influenza

Diferentes estudos, revisões e publicações recentes abordam tais questões e dissertam sobre as inúmeros mitos e verdades, e alguns dos “achismos” ainda sustentados por leigos. Grohskopf et al. (2020), Kuo e cols. (2020), Jaklevic (2020), Mantezou e cols. (2020), Rubin (2020), Singer (2020), Soo e cols. (2020) são exemplos de algumas das destacadas constatações atuais sobre o assunto.

Evidências atuais

Reforçamos abaixo alguns dos achados científicos baseados em evidências já descritos:

  • As características clínicas da Covid-19 sobrepõem substancialmente a clínica da influenza e outras viroses respiratórias;
  • A única forma de distinguir a etiologia das síndromes clínicas é através da realização de testes diagnósticos específicos para os vírus respiratórios.
  • A letalidade da infecção por SARS-CoV-2 é amplamente superior aquela associada à influenza;
  • A Covid-19 não apresenta caráter sazonal, ao contrário da influenza;
  • O prognóstico da Covid-19 é ruim em número maior de infectados quando comparados aos doentes com influenza;
  • A cronicidade dos sinais e sintomas após recuperação das infecções por SARS-CoV-2 é caracteristicamente mais frequente, diversa, debilitante e prolongada do que com influenza;
  • O tratamento farmacológico para influenza não tem utilidade para Covid-19;
  • O tratamento farmacológico para Covid-19 não tem comprovação científica de ação contra infecções pelos vírus influenza;
  • O uso de corticoides é útil em pacientes com formas moderadas/graves de Covid-19, mas pode piorar significativamente o prognóstico de pacientes com influenza A;
  • As medidas de controle da disseminação do SARS-CoV-2 por via aérea e contato (precaução de contato, gotículas e aerossóis) são distintas das precauções de contato e gotículas suficientes para a contenção da influenza devido aos distintos potenciais de transmissibilidade;
  • As medidas de prevenção de infecção para Covid-19 (uso de máscaras, lavagem de mãos, distanciamento social e lockdown) apresentam efeitos positivos substanciais na prevenção de infecção por influenza e outras doenças infecciosas respiratórias;
  • A vacinação anual contra influenza tende a reduzir efetivamente a carga da doença especificamente por esses vírus. E apesar de não apresentar eficácia em 100% dos vacinados, deve ser administrada de acordo com a política usual adotada nos diferentes países;
  • Alguns estudos publicados sugerem que a vacinação para influenza está associada com menor mortalidade por Covid-19;
  • Não há vacina ainda disponível para Covid-19 de distribuição populacional e eficácia comprovada;
  • A Covid-19 e influenza, assim como a infecção por outros vírus respiratórios, podem se sobrepor agravando significativamente o quadro clínico do doente, e não há competição entre as doenças. Cerca de 2 a 21% dos pacientes sintomáticos respiratórios apresentam coinfecção. A sobreposição dificulta as condutas terapêuticas efetivas e consiste em fator de risco para internação prolongada.

Fonte: Peb Med| Autor: Rafael Duarte

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