Paracetamol um dos analgésicos mais receitados do mundo pode induzir comportamento de risco

Pesquisa realizada por cientistas da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, revelou que o uso do paracetamol (acetaminofem) pode induzir pacientes a um comportamento arriscado, diminuindo a capacidade de perceber e avaliar potenciais riscos.

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Publicado no jornal científico Social Cognitive and Affective Neuroscience, em julho de 2020, o estudo foi realizado com 500 voluntários. Durante a pesquisa, alguns participantes receberam uma dose de 1 mg de paracetamol, enquanto outros um placebo. A pesquisa mostrou que o fármaco com propriedades analgésicas provocou alterações no comportamento de voluntários que tomaram a medicação.

Na análise, os participantes precisavam encher, de maneira virtual, uma bexiga de ar. Toda vez que o balão era bombeado, a pessoa ganhava um valor de dinheiro imaginário. No entanto, se a esfera estourasse, o voluntário perdia toda a quantia acumulada.

O estudo demonstrou que o grupo que fez uso do paracetamol assumiu mais riscos durante a atividade, em contrapartida, as pessoas que receberam o placebo tiveram mais cautela. Por isso, os balões de quem fez uso do medicamento estouraram mais vezes quando comparados com quem não tomou o analgésico.

“O paracetamol parece fazer as pessoas sentirem menos emoções negativas quando consideram atividades arriscadas. Elas simplesmente não se sentem tão assustadas”, destacou o neurocientista da Universidade Ohio, Baldwin Way, segundo matéria publicada no portal Hypescience.

Ele completou: “Se você está atento aos riscos, pode bombear algumas vezes e decidir parar para não estourar o balão e perder todo o dinheiro. Mas [observamos] que aqueles que tomaram o paracetamol, conforme o balão enchia, sentiam menos ansiedade e emoções negativas sobre o quanto a bexiga está crescendo e a possibilidade de estourá-la”, afirmou Way, em uma publicação no portal da Universidade de Ohio.

Outras iniciativas

Além da ação com os balões, os participantes ainda preencheram formulários durante o experimento, respondendo perguntas sobre níveis de risco que poderiam perceber em várias situações, como, por exemplo, ao apostar o salário em um evento esportivo, pular de bungee jump ou dirigir sem cinto de segurança.

Em um dos formulários, os participantes que tomaram paracetamol apresentaram menor percepção dos potenciais riscos, entretanto, no outro questionário, os resultados foram similares entre os dois grupos.  

Para os cientistas, embora os sintomas sejam leves, houve uma influência, sim, do paracetamol, na tomada de decisão dos voluntários durante o estudo.

Devido aos resultados apresentados na pesquisa, como próximos passos, os especialistas destacam que vão procurar explicações psicológicas alternativas para o fenômeno e investigar os mecanismos biológicos por trás dos efeitos do fármaco.

Fonte: ICTQ

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