Bloqueio da Capes: Doutorando pode acabar abandonando pesquisa de vacina contra Zika

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Corte de bolsas da Capes afetará vacinas, energia, agricultura e até economia, diz presidente da SBPC

Nesta quarta-feira (8), o Ministério da Educação (MEC) anunciou a suspensão das bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes),  que afeta 3.474 bolsas de pós-graduação (mestrado, doutorado e pós-doutorado).

Aluno de doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Túlio Macedo Lima, se encontra entre os milhares de estudantes atingidos pelo bloqueio. Morador de Niterói, o estudante passa cerca de três horas diariamente se deslocando de sua casa até o Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares da UFRJ, onde estuda vacinas de oito a dez horas, cinco vezes na semana.

O estudante perdeu sua bolsa após cursar um ano de mestrado e ser convocado por seus professores partir direto para o doutorado, devido sua ótima atuação na universidade e à importância de sua pesquisa.

Entretanto, ao abandonar sua bolsa de mestrado para competir pelo doutorado, Lima terminou por ficar sem cobertura nenhuma devido ao bloqueio. Tendo como prioridade o desenvolvimento de uma vacina contra o zika, seu projeto também procura estudar uma nova possibilidade de imunização contra a febre amarela; que teria uma produção mais rápida e apresentaria efeitos colaterais mais brandos em relação a atual.

“Eu pretendo aguardar pelos próximos meses, mas é inviável continuar no doutorado por três anos sem bolsa”—declara Lima.

Túlio trabalha em conjunto com mais seis pesquisadores, no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE), para o desenvolvimento das vacinas contra zika e febre amarela.

O projeto estuda a não utilização do vírus atenuado na criação das vacinas.

“A vacina que existe hoje contra a febre amarela é muito segura e eficaz. No entanto, como ela é feita com o vírus atenuado, em alguns casos muito raros ela pode trazer efeitos colaterais graves.”— acrescenta Lima.

Os pesquisadores focam no uso de uma protéina estrutural do vírus, que não contém material genético, para a substituição.

Mais um obstáculo está na fabricação a partir de ovos de galinha, que ocasiona uma demora de meses para preparar a imunização, e nos casos de surtos— onde a demanada aumenta— atrasando a produção.

“A gente usa células de mamíferos pra introduzir a partícula estrutural da proteína do vírus zika em biorreatores. Por conta desse método, até pessoas alérgicas ao ovo poderiam tomar a vacina contra o zika sem ter reações”— Túlio Macedo Lima.

As vacinas projetadas pela UFRJ poderiam ser elaboradas de maneira mais eficaz, aumentando sua rapidez e diminuindo o custo. A pesquisa também abriu as portas para a criação da vacina contra vírus da zika.

Lima declarou que, sem remuneração, conseguirá continuar trabalhando no projeto por cerca de seis meses. Porém, se após esse tempo o estudante não conseguir a aquisição de uma bolsa da Capes, suas intenções para continuar a pesquisa serão: Abrir o projeto para financiamento de empresas ou procurar suporte no exterior.

“O projeto já está bem avançado e a gente acredita que ele é fundamental para a saúde pública. Me mudar para outro país e continuar a pesquisa em outra universidade seria ruim porque meus colegas teriam que assumir as etapas pelas quais eu sou responsável, o que atrasaria todo o processo aqui no Brasil”—Concluiu.

Fonte: G1

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