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O fim dos tempos de gambiarra

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As tragédias são eventos presentes na história humana desde seu passado remoto. Trata-se de um fato inquestionável, independentemente da crença ou da falta dela.
As catástrofes geralmente aceleram os processos de aprendizagem porque as sociedades tendem a tomar atitudes para que esses acontecimentos não os afetem ou para que seus efeitos deletéreis sejam amenizados. Essa explicação está baseada na teoria da evolução das espécies e a lógica é quase ululante.
Desastres como o que aconteceram em Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais escondem uma tragédia muito maior que afeta o Brasil: a GAMBIARRA, assim mesmo, em caixa alta para que nunca esqueçamos dela.
Sinônimo de improviso, quebra-galho, jeitinho, conserto menor, trabalho mal feito, mas funcional, essa palavra é seguida de ponto de exclamação, ponto de interrogação ou reticências em países sérios. No Brasil, no entanto, emprega-se um ponto final.
A GAMBIARRA nacional é solução e prenúncio de tragédia para quase tudo. Uma barragem feita de terra onde deveria ser concreto, estruturas construídas embaixo dessa barragem que servem de restaurantes e áreas administrativas e sirenes e sistemas de alarmes mudos são exemplos de última hora do nosso “amor” pelas GAMBIARRAS. O pior de tudo isso é que GAMBIARRAS geram mais GAMBIARRAS e, como elas se multiplicam em ritmo exponencial, no caminho perdem-se suas origens, seus responsáveis. O resultado é a propagação desse DNA maldito por toda nossa sociedade.
Devemos, como cidadãos, dizer não às GAMBIARRAS do dia a dia, o que significa imprimir mais ética e profissionalismo no campo profissional, por exemplo.
Claro que é dificil. Claro que escolher o lado certo tem seu preço. Porém, nós, brasileiros, precisamos tomar a atitude de excluir o jeitinho de nossas vidas para rompermos esta placenta e nascermos de novo.
A boa notícia é que o efeito é bastante positivo. Agir corretamente dá frutos que nascem rápido ainda que no início tenham sabor um pouco amargo, mas com o tempo o doce sabor de fazer o certo chega e perdura.
Há algum tempo, não muito, confesso, resolvi lutar contra minhas GAMBIARRAS e posso atestar que hoje colho os frutos dessa escolha.
Na área da saúde na qual eu atuo, enxergamos muitas GAMBIARRAS no dia a dia e, muitas vezes, somos cúmplices, quando não autores de represas feitas de terra. Por vezes provocamos tragédias silenciosas e não compreendemos o peso de nossa responsabilidade como profissionais.
Em nossa profissão podemos negociar diversas questões, exceto a qualidade de nosso serviço. Isso deve ser inabalável, a ponto de ninguém ousar inventar qualquer GAMBIARRA ao nosso redor.
Portanto, façamos nossa parte buscando qualificação e apoio na ciência, improvisemos cada vez menos, com menos orgulho, planejemos mais vezes e com mais altivez.
A cada consulta, a cada atendimento, a cada coleta, a cada leitura de lâmina, a cada manipulação de medicamento, enfim, a cada procedimento busquemos nossa excelência e estejamos atentos aà excelência dos serviços que nos cercam. Só assim acabaremos com essa tragédia que habita dentro de toda sociedade brasileira.
Por Alex Eleutério dos Santos

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